Há males que não me importam

    Deveriam ser umas 6:20 da manhã, o céu começava a se apresentar num tom extremamente azul e claro, ótimas condições para se ir à praia, porém um pequeno carro rumava para uma empresa também azul clara. No caminho, muito próximo da minha casa, um jovem rapaz arrumava malas e sacolas na sua Palio Weekend, encostada nela havia uma prancha de surf envolvida em uma capa, ao que me parecia ser da quicksilver, definitivamente ele estava indo a praia. ´

Dá uma raiva ver o tempo assim e você ter que ir trabalhar... Cheguei no serviço abri minha caixa de e-mail e.... tchananam!!! a minha maior preocupação do mês estava ali respondida: "Ok Felipe seu banner está de acordo com as nossas especificações, no dia primeiro estará em nosso site , grata Thaís depto. de tráfego". E aí o dia ficou mais azul e eu nem preciso ir a praia!!!!



Escrito por Felipe Rariz às 10h37
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Ping-Pong

    Hoje a equipe do Senso resolveu parar de comer empada para publicar uma entrevista feita com Juneca, o precursor do grafite no Brasil:

Senso Incomum: O grafite chegou ao status de arte urbana através da pichação?

Juneca: Acredito que uma coisa está ligada a outra, mas não que o grafite tenha sido a evolução da pichação, por que os dois aparecem praticamente juntos no contexto urbano.

S.I.: Como foi feita a sua fama, já que até em programas de televisão como o da Hebe Camargo, eram feitas duras críticas ao tal do Juneca que estava pichado em vários lugares da cidade de São Paulo?

Juneca: eu pichava por diversão, não queria "causar" na sociedade, fiquei famoso principalmente quando o então prefeito Jânio Quadros resolveu me críticar na grande impresa.

S.I. Nos anos 80 não era comum ver grafites pela cidade, quando você migrou para esse tipo de atividade?

Juneca: Quando ao certo não me lembro, mas foi bem no início dos anos 80 mesmo, tomei contato com a arte por intermédio do Alex Valauri, que já tinha visto muito mais grafite do que eu.

S.I: Você se considera o precursor do grafite no Brasil?

Juneca:  Um dos precursores, junto comigo surgiram bastantes grafiteiros que ficaram conhecido como a velha escola ou old school.

S.I: Depois da perseguição você teve uma abertura por parte de prefeitura para expor sua arte...

Juneca: É isso foi no governo da Luiza Erundina que realmente abriu espaço para arte alternativa, então me convidaram algumas vezes para pintar painéis grafitar espaços públicos, como o minhocão, o túnel nove de julho, etc.

S.I. Hoje você pode dizer que vive da sua arte?

Juneca: Sim, por que trabalho em função do grafite, já veiculei meus desenhos em relógios digitais no centro de São Paulo, já realizei exposições no Masp, em museus na França e naEspanha, além de ministrar cursos e palestras tanto para o pessoal carente como em universidades.

S.I. Você se formou em artes plásticas em que isso te ajudou?

Juneca:  abriu um leque em minha mente, tomar conhecimento de todo tipo de arte instiga a nossa criatividade, comecei a pintar diferente, nunca empreguei um estilo único até por que o meu negócio é diferenciar.

     Juneca já pintou a casa de detenção, fez capa para alguns cds dos Racionais Mcs, diversos painéis para a prefeitura, além de grandes exposições. Ele é a prova de que cultura não é uma questão de riqueza ou status social, a falta de oportunidades fazem surgir artes como a dele, marginal, alternativo e ilegal, contudo valorizada em terrenos estrangeiros e pouco observada em território nacional.   

Esta entrevista foi feita para uma matéria do jornal Expressão On-line da Universidade São Judas Tadeu, quando entrar no ar eu aviso ok!

 Feliz dia 25 de março.... aquele dia daquela rua daqueles camelôs!



Escrito por Felipe Rariz às 08h27
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