Do princípio ao Senso
Comecei a escrever aqui sem nunca contar o porque e o que queria com isso. Vocês podem até achar estranho mas nesses quase dois anos ainda não consegui responder estas duas questões.
Era primavera e eu... (mentira não era, sempre pensei em escrever um livro assim hahahaha), voltando, sei la quantos anos tinha, mas com certeza eram poucos e eu assistia religiosamente todos os dias às Aventuras de TinTin, claro sempre depois de ver o Castelo Rá-Tim-Bum, na TV Cultura, o Tin Tin pra quem não conhece é loiro e é reporter, talvez venha daí toda a idéia de ser jornalista mas sinceramente eu não sei quando me veio, só sei que era ainda muito novo.
Alguns anos depois fui visitar com a escola a redação da Folha de São Paulo, foi amor a primeira vista, aff...que clichê... enfim, com convicção comecei a afirmar que seria jornalista, queria ser correspondente internacional, aliás acho que todo aspirante à profissão quer ser, ou então apresentar o Jornal Nacional na Globo, mas esta última nunca me cativou.
Com dezesseis fui numa palestra no Colégio Monteiro Lobato, o palestrante era professor da Cásper Líbero e reporter se não me engano da Folha de São Paulo. Pela primeira vez fui apresentado à realidade da profissão: "não tenho fins de semana de folga sempre, já perdi dois aniversários do meu filho, não como bem e não durmo bem" ótimo, isso não me desanimou, por increça que parível, ops, por incrível que pareça, gostei ainda mais da coisa.
Meu sonho era estudar na Cásper Líbero, com 17 fiz o vestibular e não passei, daí fui pro cursinho, tentei num acesso de loucura sabe-se lá o porque prestar para publicidade no ano seguinte pela Cásper e Jornalismo na São Judas, Graças aos Céus não passei de novo na Cásper, e fui estudar jornalismo.
Enquanto se estuda a vontade de fazer matérias é inversamente proporcional à vontade de estudar, mas estudar já não era tão horrível quanto na escola, e dava pra levar a faculdade numa boa... por enquanto hehehehe.
Primeira matéria pautada na bienal do livro de 2006, "qualquer lançamento" disse meu professor, fui entrevistar Reginaldo Ustaris Arze, médico colombiano que foi o primeiro a examinar Che Guevara morto, lançava um livro controvérsio à versão oficial da morte do guerrilheiro. Entrevista gravada, matéria feita ainda no mesmo dia, a empolgação era tanta que não ia aguentar esperar o outro dia para escrever, fiz tudo no sábado, no Fantástico do dia seguinte a até então repórter Patrícia Poeta, hoje ancora desse mesmo programa, entrevistou o mesmo médico que eu. Uma certeza eu tinha, cheguei na informação quente antes da TV, e sem saber, quase um furo se tivesse sido publicado.
Porém nem tudo é tão fácil, as matérias seguintes não foram tão livres assim, entrevistei um verador com a ajuda de pessoas certas, conheci um acessor de imprensa que se não fosse por um fim fatídico poderiamos estar com um projeto de TV, escreví por seu convite no seu blog durante algumas semanas, tudo graças à entrevista com o vereador, mas nem sempre podia-se fazer o que queria nas matérias. Até quando consegui uma promoção para um cargo mais ligado ao jornalismo, trabalho com comunicação numa indústria, ví que estava restrito à escrever sobre certos temas apenas.
Acho que por essas restrições que fundei o Senso Incomum no dia 06 de agosto de 2006, e aquí sim mando e desmando e escrevo sobre o que quero, não ganho pra isso, mas me satisfaço como profissional (risos).
Escrito por Felipe Rariz às 16h17
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